TOMANDO UM CAFÉ À PORTA DE UM BOTEQUIM
PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
An ram!
Bom, desculpem-me. Deixa eu falar sério um pouco.
É verdade que os ventos, as chuvas e as tempestades são velhos companheiros meus. Digamos que me alivia um pouco quando, com o verbo em contos ou em poesias, coloco as culpas e os pesos no mundo.
Mas não é que eu seja totalmente insensível aos revezes da vida. Por outra, costumo mirar os maiores egos e os mais sonerbos anjos. Aos humildes, eu poupo, e desafio um só de meus poemas lhes serem afiadamente destinado.
Mas quando um trovão sobrevoa o ar que respiro, realmente tenho de mostrar umas coisas. Por exemplo, ,como sempre digo, em países desenvolvidos jogam Playstation, vão a parques de diversão, comem e bebem de tudo, e regozijam que são bons. Ah, claro, e dentro de nosso próprio país ocorre o mesmo com alguns irmãos.
Mas, enquanto isso, e sempre digo que enquanto isso muitos morrem de frio, e muitos templos padecem de fome biológica e cultural.
Então, são sons desconexos. "Sou bom", "Estou morrendo de fome". Tudo nas mesmas células do corpo humano.
Então vos pergunto: "Onde é mesmo que está a porra do câncer?"
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