Escritas

Declínio do silêncio

Frederico de Castro


Desceu a noite pelo desfiladeiro das minhas solidões
Atrofiando a luz cozinhada numa luminescência tão desvairada
Desamparante e banal desejo enviuvado naquele assertivo abraço
Onde chuleei a vida apaladada, cativa deambulando sempre esquiva

Quão restritiva deixei esta missiva numa lerda rima embaraçada
Arrulhando cada palavra pendurada neste glutão silêncio esquivo
Ao aplainar a memória desembocando contemplativa a cada guloso
Beijo que recordo entre os detritos da saudade mais retentiva

E enquanto boca a boca respiram nossos desejos degusto aquele
Sorriso inesperado atapetando um murmúrio tão exclusivo, desenhando
O prosaico verso alimentando o alfarrábio deste amor quase imperativo

Jaz heróica a noite arejando o enredo intimo desta estrofe confinada
À elegância das tuas gargalhadas bem articuladas, atordoando o dia
Que se avizinha blindado a esta ilusão tão minuciosa...tão resignada

Frederico de Castro
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