Penúltima hora...último silêncio
Frederico de Castro

Assim ficou acabrunhada a solidão que se
Perdeu no penúltimo silêncio desmentido
Na penúltima esperança a renascer expedita
O penúltimo sonho vibrando acossado iludido
Na penúltima hora comovida que se esgueira naquela
Penúltima felicidade a dois maturando corrompida
Dois dedos de conversa na penúltima
Noite a diluir-se qual abreviado eco surpreendido
Perante a penúltima rima acontecendo descabida
Um verso persuadindo a penúltima
Existência dos meus lamentos comovidos
Jazendo no penúltimo beijo quiçá depois tão aplaudido
Agita-se o mar brandindo a penúltima onda que se
Despenca na penúltima maré destemida...desaguando
No horizonte como um scotch bem bebericado e desinibido
Fica meu penúltimo silêncio acantonado nesta vil solidão
Esculpindo cada obsoleto gesto tão abatido pichando o muro
Adornado com meus últimos lamentos grunhindo resignados
Frederico de Castro
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