O AMOR, A IMANÊNCIA E O VERBO

O amor é bonito
na ponta da língua
a acariciar o ego
do amante,
o amor é extático
na ponta da língua
a lamber o pau e a boceta
do amante,
o amor é sublime
na ponta da esferográfica
que traça o que não
há do amante;
a um sinal de sombra,
o amor se suicida e se some
como um peido,
mas não sem que antes
as mesmas línguas disparem lâminas verbais
contra os peitos
e impregnem,
com estranho fedor e com amortalhado
vazio, as almas dos outrora
amantes.
Por que
falais tanto de luzes,
se são elas que vos
cegam,
perante tudo
que é, sem vossos egos,
razões e insânias
sencientes?
Antes,
o verdadeiro sábio conhece o ímpeto
dos olhos carnais
e mentais,
e sabe que tudo,
e todas as coisas, que nos são visíveis
apenas esconde o que
por si é,
sem que
deixemos de figurá-las,
apocrifamente,
com nossa espúria
condição sapiens para que,
a nosso modo de ver,
passem a ser.