Escritas

Bala perdida

Gisele Leite
Temos a consciência anêmica

Que desconhece a proteína da verdade

É na insônia que se prolongam as horas e

as buscas

É no silêncio da madrugada

Que as palavras se encontram em sintonia

Regem a realidade do alto de suas semânticas

E bailam pelas ironias sutis das mentiras,

Dos contos, das novelas

E das poesias.Temos a consciência anêmica

Não vemos a luz, somente a imaginamos.

Na verdade, não vemos nada.

É a luz que traz à retina o objeto.

O mesmo objeto que descansa sozinho nas trevas

Feudais quimeras onde

há um deus que sabe de tudoAs anemias escorrem entre veias,

almas e sombras

Projetam o pôr-do-sol

Bem em cima da camisa manchada

de sangue e estória

Na tragédia cotidiana

Das flácidas violências...

Estopim da miséria

ou da indiferençaNo ângulo certo, uma bala

Ou, talvez um fuzil podem mirar

o alvo, o ponto exato

E, então diminuir a população,

Majorar estatísticas

Preencher cemitérios...Mas, não responderão as

inquietações...

Como podemos querer viver efetivamente...

Se já estamos mortos?

Mortos pela anemia

Pela apatia e

Pelo esquecimento.

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Comentários (1)

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joao_euzebio
2012-08-12

É a realidade da vida ou os sonhos projetados por uma ilusão que se apegá em nos nestes desejos que temos de verá perfeição brotando como semente de uma nova flor.Lindo teu poema li e reli.Parabéns