Escritas

Morte anunciada

Gisele Leite












Morrer secretamente.



Silenciosamente.



De forma frígida e sem dor







O corpo guarda a obturação



do destino



As amálgamas de prata ou de medo



Encobrindo o espasmo da vida.







Estou aprendendo a morrer



Como se tivesse vivido



Passo as folhas do álbum



Da memória



E as imagens parecem rotas



Ou inverídicas







Quem é aquela que vejo?



De quem é o semblante triste?



Os olhos que não sorriem



E plasmados contemplo o horizonte



Como se fosse abismo...







Morrer assim secretamente



Por entre florestas virgens



Por entre metáforas indecifráveis



Por entre os últimos fonemas



De dor ou melancolia



Morrer no passadiço da escada



Entre um degrau e outro...



Morrer no alto da torre



A esperar a simbólica redenção







Morrer, silenciar



E cair horizontalmente no berço



Das emoções



Sufocadas por culpa ou vergonha.







Depois de minha morte.



A missa...



O silêncio ritual das preces



Sob olhares dos

sobreviventes



A nau emborcada da igreja,



o átrio e a claraboia



conspiram avaliando meu pleito.



E, afinal a despedida dita



em coro: amém .







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