Escritas

Bala Perdida

Domingos Alicata

Passa a morte montada em indefinido calibre.

Alucinada segue ela friamente ao sabor do destino.

Poderia se perder no espaço, encravar-se em uma

árvore ou, quem sabe, ricochetear no asfalto e

seguir inofensivo rumo...

A vida, no entanto, reveste-se de tragédia!

Triste gemido parte de uma infantil boca ao tempo

em que inerte cai por terra desfalecido corpo.

Nele, em final suspiro, morrem sonhos e ilusões

precocemente desfeitas.

No negro asfalto vai o sangue desenhando macabra

figura enquanto passos apressados tentam socorrer

a pequenina vítima. Lágrimas se juntam ao sangue

e redesenham um grito de revolta diante da triste

realidade da vida.

Indiferente o dia também morre, sem justiça e sem culpados,

apenas a dor segue a confirmar os desgastados caminhos

da desesperança...

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Comentários (1)

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2012-08-11

Belíssimo e sábio. Aplaudindo