Escritas

Deus e o eu

Marcelo Reis

Sem motivo aparente,

Decidiu permanecer só.

E o fez.

Por alguns duradouros instantes.

Nu, num quarto vazio.

Foi então que na solidão se encontrou.

E pôde demorar-se em si mesmo.

Aventura como aquela nunca vivera.

E viver lhe pareceu tão abonador.

Tão revelador.

Despiu-se de roupas e coisas

Por óbvio,

Mas também das máscaras.

Das ansiedades.

Dos demais pensamentos que pesam.

Das intolerâncias que secam.

E das tantas futilidades de seu cotidiano.

Era o encontro com o Deus.

Desconhecido eu.
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Comentários (2)

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João Fernando Mesquita
João Fernando Mesquita
2025-11-03

A síntese suprema, pelo dom da palavra cristalina, do ditador execravelmente miserável, do ditador do país do medo, da miséria, dos xailes e lenços negros que cobriam as mulheres sem idade, das casas sem soalho, onde brilhava a fuligem da fome, da canalha de uma côdea rija de centeio, que besuntava as mangas dos casacos a esfregar, com saliva, as lousas das palavras e números perdidos. Nefando ditador, que com voz de falsete em sacristia vazia, se ufanava de messias em terra sebastiânica, propalado pelos ujos nas noites tenebrosas da ignomínia.

sergioricardo
sergioricardo
2017-10-17

A metafísica. A transcendência. Obrigado por tentar trazer à tona versos mais profundos de intenção.