Versos em clausura

Assim se desnuda cada latido dócil
Enfeitando nossos sentimentos esborratados
Num mavioso ronronar pulsando assim recatado
Sob aquele pungente abraço melodioso...agora colmatado
No murmúrio dos ventos recostei-me entre as brisas
Passageiras desbaratando toda a saudade inquebrantável
Latente, bem aquilatada e matreira até que o toque
Da tua sombra assoalhe o lajedo de tantas memórias forasteiras
No vazio dos dias preenchi as horas varejando pela cumeeira
Das mesmas palavras corriqueiras conjugando a semântica dos meus
Versos unânimes, enclausurados numa paixão deveras tão derradeira
Estanquei no baldio dos meus silêncios o acto de solidão que transbordou
Em cada migalha de luz tateando o momento resoluto onde nos entregamos
Condolentes, intoxicados...quase absolutos, mais contundentes...pacificados
Frederico de Castro