Nos subúrbios do tempo
Frederico de Castro

Encontrei algures espaçada entre as
Cortinas do tempo aquela brisa esvoaçante
Orlando o horizonte quase embriagado pela
Melodia comemorativa de um dia rompendo extravagante
Plantei cada palavra no jardim da poesia expectante
Onde se noivam as rimas dos meus versos mais semânticos
Onde se adoçam os lábios com beijos tão petulantes
Onde raia a aurora impregnada de superlativos abraços galantes
Sossego a noite que se deita em lençóis sedosos iluminando cada
Gomo de luz fascinante e escancarado, confortando todo aquele silêncio
Solene, subtil reentrando em cada sentido desvairado vadiando pelos subúrbios
De uma manhã carente, entulhada num dócil e religioso silêncio inebriante
Caminho agora sob toda a tenda da solidão inquieta pendurada nos
Cavaletes da minha saudade prostrada, obsoleta, depondo aos pés
De tão meigo sorriso uma rejubilante e enamorada carícia
Transformando cada desejo unívoco num verso mais embelezado e recíproco
Frederico de Castro
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