ROSA NEGRA

Sonhei
um sonho de enlevos estranhos
sobre um jardim suspenso
no mar.
havia borboletas,
girassóis, marimbondos e flores
espalhadas por todo
ar.
Só não contava
com os pássaros menestréis,
que vieram depois
a melodiar,
até
anefasta e inevitável traição
se consumar.
Quando acordei,
daquela fulga rosa de meu erro,
ora alva, ora negra,
não sei o que
fora pior: o amor que
imaginei, o gesto que enredei,
a poesia que
inventei,
o pólen que
aspirei ou o doce néctar
com que me
envenenei.