Escritas

UMA VELA AO DESERTO

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT

Tudo mudou em minha rotina final. No descampado a fome e a sede são sempre maiores. Em vez de anjo, lobo me torno. Não nego a condição,

Quando ela apareceu de repende, eu já estava aos ossos, padecendo de desejos e de sonhos.

"Por que você está triste, mocinho?", sussurrou-me com o vento ao ouvido, mal sabendo que foi pelo atropelo de uma puritana.

Com seu lindo olhar interrogativo, quis saber mais coisas, mas o que melhor aprendi na vida é como me escondo.

"Não temes meu deserto?", perguntei de pronto, já lhe ansiando.

"Não, menino, não tenho", firmemente ela sorriu respondendo, como se eu fosse um canarilho perdido no próprio ninho.

"Conte o que aconteceu?", insistiu ela.

"Não, não conto".

De toda sabedoria a de que mais gostei foi dos silêncios e dos segredos. Lilith tinha a pele clara e a alma negra, ela sorria como um anjo. "Não, não conto, e pronto", iria poupá-la das sombras.

Então ela esticou a mão direita e pegou em minha mão. E sorrino meigamente disse "Transcende, menino, e pronto!".

Na mesma noite, amei-a numa cama e num sonho!
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