O SAL DA TUA LÁGRIMA
Paulo Sérgio Rosseto
Paulo Sérgio Rosseto
A água pura quando da tua emoção desceu
Deixou rastros e verteu abundante
Entre cílios e poros no entorno dos olhos teus
Mapeou o macio veludo do teu rosto
Acendeu a expressão casta da tua rosa
Riscou mansa a pele avelã em úmido apupo
Encharcou com rubor tuas maçãs e brios
Fez brilhar ainda mais as tuas meninas
Marejou os rebeldes fios das tuas franjas
Renovou vontades em teu soluço
Até ver-se displicentemente acolhida
Pelas costas âmbares nos gestos parcos
Do enlace terno das nossas mãos
Tua anônima poesia no entanto
Discreta e efêmera abrasou meus lábios
Ao me sentir no gosto azul
Entre o ósculo e a língua atônita
Ao provar do sal da tua lágrima
@psrosseto
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