Escritas

SÓRDIDA MÃO

Paulo Sérgio Rosseto
Sórdida mão esta, que assegura o lucro
Que apara a lente, sulca os sentimentos
Redireciona o ar, reendireita a vértice
Reapruma o leme, estribilha o mote
Mata a pastilha exangue, enxagua o molde
Se deita vaga, vagamente boia
Copula lerda entre as pernas tortas
Das tardes martas, corpulentas bolhas

Algas magras, estas brandas nesgas
Endiabradas, aferidas, federadas
Quando ajoelham pedem resolutas
Absolutamente anoitecidas, reclusas
Repletas de calos que incomodam
As incoincidências, e discriminam
Adoidadas tudo que de lúcido enseja
E rasteiramente rastreia e arrasa

Convexa aurora, então desconecta da noite
Adiciona o dia intersol sob as asas puas
E se não voa, cavalga ao menos no longo apelo da lua
Fazendo chegar inteira a satisfação da mera escolha
Nos labirintos arcanos, desformados, sem cheiros,
Sem gruas e nexos, ceifando as falsas hipóteses
De se encontrarem as duas, nos momentos
Raros e rarefeitos no afio laminado da navalha
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