Escritas

Chuva de cristal

Frederico de Castro


Desfaz-se a madrugada em prantos amaldiçoando
As trevas proverbiais alimentando a lamparina de
Cada lamento enferrujado marinando no convés
Da solidão tão peregrina

Cai uma chuva miudinha em gotas de cristal
Colorindo a noite debruando o epílogo dos nossos
Desejos mais perspicuos ao estampar a aurora com
Soberbos beijos tão insaciáveis...cada vez mais inadiáveis

Na superfície de todos os horizontes eclipsam-se
As solidões mais fugitivas ao compartilhar esta insurrecta
Palavra obsessiva alimentando todo o marketing destes
Versos prostrados num ensurdecedor silêncio ali cadastrados

Sob as palmeiras da minha terra acolho aquela sombra
Passageira saltitando acrobática pelos sonhos infestados
De alegria e perseverança até que a luz num ordeiro pestanejar
Se delongue tão íngea, tão sossegada...esgaratujando minha solidão a latejar

Frederico de Castro
497 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment