FRÁGIL
Luís Soares Eusébio
Odeio esta fragilidade
Que me assalta, possui e,
Em que me amodorro sem ti.
Simultaneamente, amo-a.
Porque te amo e quero.
Porque sem ti desespero
E só a dor da ausência
Me preenche e sobra
Do nada de que te sei.
E vivo assim, não vivendo.
E amo assim, não amando.
E morro assim, não morrendo.
Porque mesmo a morte é nada,
Sem a tua companhia.
Os dias passam, não passando,
Porque o meu tempo é sempre outro,
Que nunca é o teu tempo.
Lá fora, o teu mundo gira.
E tu giras com ele.
O meu está parado cá dentro.
Esperando que o teu, em movimento,
Páre e te lembre de mim.
Luís Soares Eusébio
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