A POESIA DAS IDADES
Cresci afiando o fio da navalha
Batendo na palha o aço bruto
De cabo de pedra no couro encerado
Os lados convexo e côncavo
A foice tangendo, umidificada
Para enfim com mãos suaves
Raspar os pelos das caras
Nasci desbastando cabelos
Sobre toalhas nos dorsos
Com pentes de osso em meio às falhas
Debulhando fios entre os dentes
Ouvindo os estrondos das mechas
No chão frio e sem graça
Remodelando os rostos
Segui perfumando faces
Desenhando cortes, alisando têmperas
Dissolvendo salientes penugens
Protuberantes bigodes
Renovando as expectativas
Reinventando os inefáveis anos
Desmontando que se pensa que o tempo pode
Brinquei assim por toda uma vida
Conspirando com atrozes vaidades
Deixando os espelhos mais belos
As ideias mais novas
Os sorrisos mais brandos
Os rostos mais leves talhando
Amiúde a poesia das idades
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