Escritas

NOSSOS PÃES

Paulo Sérgio Rosseto

Na Irlanda a Ilha de Man
Mantém-se sob a égide da Coroa do Reino Unido
Apesar de que as fotos desgastadas nas traças do tempo
Perderam parte do brilho e colorido;

- Os rios continuam caudalosos na amarela Barsa
Edição 1969;
A estante já não é a mesma.

Devorávamos todos aqueles volumes
E a sede de ler ia além das nossas forças.
Puxávamos os barbantes, latas velhas redondas pelas ruas
Enquanto na outra mão suja de poeira
Meio metro de pão envolto por minúsculo papel vinho
Do Armazém Central,
Passeava nas calçadas
Atiçando a fome pelas belas viagens nos volumes da rica
Enciclopédia da casa vizinha.
Mas juntos
Fazíamos daqueles espaços nossos passos
Alargando nossa torpe geografia.

Nos sertões de Selvíria onde o medo era desaprender
As taperas eram magistrais castelos
Os quintais colossais pomares e jardins
Incólumes partições sociais onde nós civis e soldados
Soltávamos as asas nas cores dos vitrais.
Nos casávamos na modesta e acanhada capela,
Nas monumentais torres da Catedral.

Entre mares da Irlanda na Ilha de Man
Feito de poças de água doce
E enxurrada
Enlameávamos os olhos
De profunda algazarra, cultura e alegria
Os nossos pães.

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