LAVRADOR
Paulo Sérgio Rosseto
Implanto na terra boa letras nuas
E dos sulcos úmidos da fértil roça
Surgem sílabas que o tempo, o sol e o orvalho
Transformam em árvores-palavras que viram versos
De onde colho doces poemas e poesias.
Sou lavrador de ideias e pensamentos
Astronauta, médico, romeiro, afiador
Das laminas que remexem as emoções,
Ânsias, paixões e os sonhos de quem me lê.
Cultivo estrofes como se faz amizade
Remexo as glebas com minhas saudades
Aro os solos no aguardo dos brotos
Das cantigas, lamúrias, lamentos e canções.
A fortuna que tudo isso me traz
Resulta dos abraços que a tua alma me dá
Dos risos quando tua face se encanta
Dos silêncios que teu vulto transborda
Dos teus gritos que me restam calar.
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