Escritas

O MURO

Paulo Sérgio Rosseto

O muro que separa
A minha casa da sua
É o mesmo que resguarda
O meu leito da rua
Que por vezes aplaca
Nossas caras e bocas
Ou então em bordões
Interrompe as amarras
Da boa convivência.

Juro que somente desatrelo
A minha casa da sua
Por mera formalidade oficiosa
Pois nada mais nos alicerça
Aproxima e atenua
Senão nos encontrarmos
Pela doce fissura
Entre um lado e o outro
Dessa parede ardilosa
Inclusive nas horas
Em que as cozinhas misturam
Venenos e aromas.

Por isso
Nosso humano muro
Foi construído de argila
Mel, chouriço, apupo
E ar puro.

773 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment