Escritas

LAVAR A ALMA

Isabella Nascimento
Mais uma vez o mesmo amargor
A mesma sensação
De estar a um passo do rio
E não poder saciar a sede
Meus olhos secaram
Como chuva que já molhou a terra
Mas não renovou a relva
A seca persiste
Sem chuva, sem renovação
Mais uma vez a mesma instabilidade
A sensação de impotência
Como a do sertanejo
Que não sabe se a terra brotará amanhã
E por mais que ele are, regue, cultive
Precisa que a chuva cumpra seu papel
Sou como o sertanejo
Mesmo os céus dizendo que não
Espera que ela venha amanhã
Lavar a terra
Brotar semente
Crescer o fruto
Matar a sede
Lavar a alma
Brotar o sorriso
Crescer o amor
Matar a sede
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