Escritas

Guardo Algo

RodrigoMassi

Guardo algo do qual não quero me separar

Ando de cabeça baixa para não chamar atenção

Meus punhos sempre serrados

Meus dentes apertados contra os lábios

E meus pensamentos que vão velozes em uma única direção

Meus olhos que se enchem de lagrimas

O desespero que se agarra ao meu calcanhar como cordas presas a uma bola de concreto

Arrastando-me para o fundo de algo escuro e sombrio que se desperta em mim

As vezes não sei quando começar ou quando devo parar

Mais sou e me sinto como um animal selvagem ao sentir pela primeira vez o gosto de sangue

Desespero, euforia, medo de que tudo acabe muito rápido e eu não possa saborear

Não sei se estou certo mais sei que devo seguir em frente

Não que se trate de olhar para traz ser algo de gente covarde

Mais é que hoje e amanhã eu me visto de pele coberta de pelos

Meus sentidos estão tão sensível que sou capas de sentir a pulsação do meu próprio coração

Hoje, agora e ainda agora o que fibrila em minhas veias é um sentimento

O sentimento do qual eu ouvia falar e as vezes até mesmo ser manifestado

Mais sempre duvide de existir em mim, agora é meu monstro minha besta sagrada

Algo que me provoca dor, mais eu amo em manifestar

Amo a forma que ele surgi em mim rasgando-me de dentro para fora

Dilacerando minha carne abocanhando violentamente minha razão

Mastigando meus princípios engolindo alucinadamente minha carne

Sinto-me em êxtase, transportado para fora de mim

E em meu sangue o ódio a fibrilar cozinhado toda a gordura de covardia da minha carne

Seu aroma, seu cheiro me embriaga, me alucina faz me convulsionar

Bem vindo a minha campainha criança

Doce criança, saborosa criança minha refeição desta noite

Vai ser minha oferenda, uma prenda a minha desgraça

Uma recompensa a minha bestial voracidade pelos seus pecados cometidos a mim

Olhe em meus olhos, aos meus olhos e veja o que você nunca pode ver

O monstro que você criou e abandou ao nascer, cresceu e a casa retornou

Trouxe fome, revolta, ódio e um lido buque de luxúria

Encobrindo uma boca rasgada cheia de dentes pontudos

Uma garganta profunda como um abismo que de dentro emana o aroma do ódio

O cheiro do desespero o perfume da morte

Em meu olhos o seu reflexo e todo o seu pavor se refletem

E eu gosto do que vejo, amo ver você e sentir seu medo, seu desespero me alucina

Meus sentidos convulsionam de prazer

Ei minha adorável criança esta noite é só nossa e você será minha adorável preza

Vou te caçar, te atormentar, brincar com você como se fosse meu bichinho

E por fim vou te abater impetuosamente não a matarei

Mas juntos teremos o intimo prazer de eu a devorar viva pedaço por pedaço

E você de ser devorada viva pedaço por pedaço

E todos os nossos pecados desapareceram acabaram em minha fúria

A minha besta voltara a dormir e estaremos todos perdoados

Seus pecados aos meus pecados ao pó retornaram e eu sentirem paz em minha vingança