Escritas

Estranho

RodrigoMassi

É estranho mais tenho que me dizer, nada vai mudar

Eu que na verdade sou você, tentando me entender

Não posso olhar através da porta

Por um instante a única coisa que me une a você é um breve silêncio

Eu gostaria de baixar o volume de todas as vozes do mundo

E por um pequeno momento que todas as pessoas desaparecessem

Trágico é não dizer que não penso no que se estende através do eterno

Estou tão seduzido pelo vazio, que as vezes a única coisa que me conforta

É o silencio que existe em não existir

Meus olhos encobertos por lagrimas e um pensamento do qual não consigo me separar

Então mais uma vez me silêncio e sinto uma desesperada vontade de chorar

A dor é como uma lembrança

Uma lembrança somente para aqueles que ainda restam vivos

Eu me pergunto

Cortar os pulsos é um clichê ou apenas uma corda invisível que se estende como solução

Eu ando me perguntando e quero dizer que são as duas coisas

Andando a noite ou pela noite, quando não a ninguém nas ruas

Como um vulto que se esconde entre as sobras em constante desespero

Pergunto a mim mesmo quais as razões, quais os motivos

E por fim acabo me engasgando em minhas próprias lagrimas

Triste é não por um fim

Tornar-se um estranho em sua própria casa, desconfortável em sua própria cama

Não consigo dormir ou não quero dormir, pois tenho medo

Medo, meus medos, são muitos e na verdade únicos

Talvez eu me de uma chance e pare de ter medo

Mais isto não significa que vou deixar de estar triste

Ou que a tristeza vai deixar de estar em mim

Talvez até aconteça de nos divorciarmos mais sempre haverão lembranças

Tenho medo, pois talvez o desespero volte e abra a porta e entre sem pedir

E eu sei que não vou aguentar, as lagrimas serão amargas o silencio perpétuo

Eu gostaria de sentir algo, mesmo que este algo seja nojo de mim mesmo

A esperança é a ultima que morre mais já esta sepulta em mim

De braços estendidos, mãos abertas me esperando entregar

Pra ser sincero a mim mesmo não sei se sou capas de sentir algo

De sentir ódio de me encarar no espelho e que este o ódio, sufoque minha tristeza

Quando nem mesmo sou capaz de ficar de pé enfrente ao espelho

E tão pouco odiar algo que não seja a minha própria existência

Tento e me desespero em agarrar as minhas poucas lembranças

Fico revendo minhas conversas tentando me manter sóbrio

Procurando por nomes e por pessoas e seus rotos

Vozes que me tragam um pouco de paz algo que me segure por um momento

Algo que não me deixe ir

Talvez eu saia para dar uma ultima volta

E encontre uma arvore para descansar

Seque as minhas lagrimas

E deixe que aqueles que caminham pela luz do dia se perguntem pelo por que

Um dia após eu ter me entregado aos seus braços