Estranho
É estranho mais tenho que me dizer, nada vai mudar
Eu que na verdade sou você, tentando me entender
Não posso olhar através da porta
Por um instante a única coisa que me une a você é um breve silêncio
Eu gostaria de baixar o volume de todas as vozes do mundo
E por um pequeno momento que todas as pessoas desaparecessem
Trágico é não dizer que não penso no que se estende através do eterno
Estou tão seduzido pelo vazio, que as vezes a única coisa que me conforta
É o silencio que existe em não existir
Meus olhos encobertos por lagrimas e um pensamento do qual não consigo me separar
Então mais uma vez me silêncio e sinto uma desesperada vontade de chorar
A dor é como uma lembrança
Uma lembrança somente para aqueles que ainda restam vivos
Eu me pergunto
Cortar os pulsos é um clichê ou apenas uma corda invisível que se estende como solução
Eu ando me perguntando e quero dizer que são as duas coisas
Andando a noite ou pela noite, quando não a ninguém nas ruas
Como um vulto que se esconde entre as sobras em constante desespero
Pergunto a mim mesmo quais as razões, quais os motivos
E por fim acabo me engasgando em minhas próprias lagrimas
Triste é não por um fim
Tornar-se um estranho em sua própria casa, desconfortável em sua própria cama
Não consigo dormir ou não quero dormir, pois tenho medo
Medo, meus medos, são muitos e na verdade únicos
Talvez eu me de uma chance e pare de ter medo
Mais isto não significa que vou deixar de estar triste
Ou que a tristeza vai deixar de estar em mim
Talvez até aconteça de nos divorciarmos mais sempre haverão lembranças
Tenho medo, pois talvez o desespero volte e abra a porta e entre sem pedir
E eu sei que não vou aguentar, as lagrimas serão amargas o silencio perpétuo
Eu gostaria de sentir algo, mesmo que este algo seja nojo de mim mesmo
A esperança é a ultima que morre mais já esta sepulta em mim
De braços estendidos, mãos abertas me esperando entregar
Pra ser sincero a mim mesmo não sei se sou capas de sentir algo
De sentir ódio de me encarar no espelho e que este o ódio, sufoque minha tristeza
Quando nem mesmo sou capaz de ficar de pé enfrente ao espelho
E tão pouco odiar algo que não seja a minha própria existência
Tento e me desespero em agarrar as minhas poucas lembranças
Fico revendo minhas conversas tentando me manter sóbrio
Procurando por nomes e por pessoas e seus rotos
Vozes que me tragam um pouco de paz algo que me segure por um momento
Algo que não me deixe ir
Talvez eu saia para dar uma ultima volta
E encontre uma arvore para descansar
Seque as minhas lagrimas
E deixe que aqueles que caminham pela luz do dia se perguntem pelo por que
Um dia após eu ter me entregado aos seus braços
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