Escritas

Minhoca

monteiro_damaceno
O verde das plantas são o seu céu
Os galhos, os prédios que o rasgam
Mas entre os dois
Um brilho incomum...

Ela vai no caminho da luz
E em sua barriga ela já sente
Da terra fofa habitual
Ao novo avizinhado concreto.

É tão áspero, fere sua rosada pele
Mas continua seu caminho
Proposital ou não.

Muito duro para escavar
Já não tem mais casa.
Nenhum dos outros bixos é como ela
Sozinha naquele solo crapuloso de cinza.

Queria atravessar para o outro lado...
Ah! Mas é uma lástima!
A fina minhoca, esmagada por uma bota desmedida.
Triste fim para o iterrompido êxodo.

Não bastasse isso,
Ainda crucificaram a pobre depois da vida
Por enfeiar o local
De tando inseto mais bonito.

Será que em seus últimos momentos
Ela sonhou com o seu hino nacional?
O vento que se encosta nas folhas
Os trompetes da nação.