Velhice
monteiro_damaceno
Quando assalto as almas de ideias
E prendo-as no papel
Elas perdem tanto o seu primor.
Creio que seja o trauma sofrido por elas
De deixarem de ser além da matéria
E tornarem-se letras.
O trauma é, de tal modo,
que envelhecem bem novas,
E quando vou em suas folhas
Não me parecem ideias de outrora.
Fico caçando a ideia nas vírgulas
E tento-me achá-la em mim:
Mas ai lembro que a sequestrei
E tornei menos alma e mais gente.
Antes, uma cara vigorosa
Cheia de saúde
As veias que apareciam
Eram rígidas com vontade
Mas agora seus olhares são tão esmos
Tão fracos que parecem querer desgrudar da cara;
Suas pernas, antes tão vigorosas,
Agora cheias de varizes irancudas
Sedentas de vingaça
Pela minha lesa à majestade.
A natureza faz de propósito
Para que eu não as admire mais
Mas eu, o que tenho a perder?
Apenas um júbilo a menos em meus dias
E as ideias, coitadas
Para sempre idosas na idade de 5
E prendo-as no papel
Elas perdem tanto o seu primor.
Creio que seja o trauma sofrido por elas
De deixarem de ser além da matéria
E tornarem-se letras.
O trauma é, de tal modo,
que envelhecem bem novas,
E quando vou em suas folhas
Não me parecem ideias de outrora.
Fico caçando a ideia nas vírgulas
E tento-me achá-la em mim:
Mas ai lembro que a sequestrei
E tornei menos alma e mais gente.
Antes, uma cara vigorosa
Cheia de saúde
As veias que apareciam
Eram rígidas com vontade
Mas agora seus olhares são tão esmos
Tão fracos que parecem querer desgrudar da cara;
Suas pernas, antes tão vigorosas,
Agora cheias de varizes irancudas
Sedentas de vingaça
Pela minha lesa à majestade.
A natureza faz de propósito
Para que eu não as admire mais
Mas eu, o que tenho a perder?
Apenas um júbilo a menos em meus dias
E as ideias, coitadas
Para sempre idosas na idade de 5
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