Escritas

Geração coca-cola

Heloisa Melo
A minha geração é da coca-cola dizem

Mas uma coisa é certa

É a geração que pedia a bênção dos pais

Que dizia aonde ia

Com quem andava

A que hora chegava

Que partilhava a refeição juntos

Que ajudava nos afazeres domésticos

Que tinha uma fé pra se alicerçar

Que não teve tudo fácil

Que nem sabia o que era estresse

E muito menos depressão

E nem sedentarismo

A minha geração não havia tanta gente malvada

E honrar os pais estava acima de tudo

Minha geração cultivava valores

E ter personalidade era a nossa marca

Não havia TV a cores

Nem máquina de lavar

Nem fogão de 6 bocas

Nem aspirador de pó

Nem celular

Nem notebook

Nem email

Nem tablet

A minha geração não tinha tecnologia, mas era feliz

Vivíamos na simplicidade e não havia
tantas desavenças

Não havia individualismo, pois existia família

Existia diálogo e também correção

A minha geração era de muitos filhos

E mamãe tomava conta de todos

O papai mantinha o nosso lar

Tínhamos tempo pra brincar

Tínhamos tempo pra ser criança

Não tínhamos pressa de querer ser grande

Brincávamos de boneca e de peteca

Tínhamos tempo pra tudo

Pra escrever cartas e poesias

Até pra tomar banho de chuva

De enamorar

De trocar olhares

E finalmente se conhecer

Não tínhamos medo de ir a escola

Nem medo de envelhecer

Hoje a geração é Maria vai com as outras

Vivemos o tempo da insegurança

Do imediatismo

Da fragilidade

Da intolerância

Do consumismo

Da falta de afeto

Da falta de diálogo

Da falta de respeito

Vivemos o tempo do tudo posso

Tudo quero

Nada temo

Do envelhecimento precoce

Vive-se o tempo

Da vaidade

Da superficialidade

Da mortalidade

Da competitividade

Da impaciência

Do estresse

Do fanatismo

Do extremismo

Dos ceticismo

Dos depressivos

Dos que promovem a violência

E praticam bullying

Geração do individualismo

Dos solitários

Dos abandonados

Dos enclausurados

Dos afortunados

Das maledicências

Vejo uma geração que não se ama

Que não se respeita

E que não tem limites

Uma geração que está sem direção
e a maldade é nua e crua

NA minha geração
Éramos felizes e sabíamos


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