Escritas

Sob disfarce

Frederico de Castro



Quisera eu fotografar o silêncio

Embarcar numa máquina de tempo

e viajar...viajar embriagando todas

as madrugadas desaguando no dominó

da vida jogada pra lá e pra cá

desarrumando todos os horizontes

divagando sem sentido

sem planície...rumo

instante ou existência

Sob disfarce prescruto o lado

mágico das palavras coíncidentes

Perfumo o desejo esculpido nas

tuas formas súbtis...reincidentes

Deixo percorrer o dia aveludando

o disperso farfalhar do silêncio

onde convalesço ao ritmo premente

dos desejos tão contundentes

Deixa-te levar no sabor das lembranças

aconchegando todo hiato de tempo cósmico

acariciando os poros da existência

clamando a cada transeunte dia que

escapa na patente da saudade que

morre pesarosa neste labirinto

planando em desassossegos

que agora só eu pressinto

Perderam-se tantos segundos numa

hora sequiosa de eternidade

que até me esqueci de marcar no

calendário da poesia uma palavra

de feição onde memorizamos a demanda

do tempo num absurdo silêncio iluminando

os candeeiros da vida escurecendo subtilmente

os céus incógnitos e extraditados

em versos absolutamente estupefactos

Frederico de Castro

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