Codinome Esperança

Para ela aquilo tudo não era loucura. Ela esperaria sim um pouco mais de chão, possibilidades, ajustes e um coração novinho em folha...mas não tinha pressa.

Ela, que viu corpos suados, desejos, lágrimas e campos de batalhas, percebia que o Amor e a Guerra usavam o mesmo cenário e o mesmos requintes de crueldade. Um amigo do peito e de infância deu a ela o livro de Sun Tzu, A Arte da Guerra. Queria que ela se tornasse uma estrategista e escapasse dos terrenos sentimentais minados. Ela já havia se explodido muito. Ele mesmo já havia visto aquela mulher ir pelos ares diversas vezes. Simplesmente não entendia como ela se recompunha tantas vezes e tão rapidamente. Talvez ela fosse uma Mutante e ele não sabia.

Por educação ela aceitou o livro. Por curiosidade ela leu algumas linhas. Por respeito e consideração ela guardou-o num lugar secreto na estante de seu quarto e nunca mais o leu.


E porque era Mulher ela não deu a mínima àquelas páginas. E porque era Mulher respirou fundo, abriu um sorriso e com olhos brilhando foi se explodir mais um pouco. Havia ainda pedaços intactos em seu corpo e alma__e aquilo de se ter pedaços ainda inteiros instintivamente a incomodava.

Além do que ela sentia que o Amor valia à pena. Além do que ela se chamava Mulher.
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