O menino e o banco

Você talvez não saiba, mas eu voltei por diversas vezes ao banco de madeira que ficava naquela calçada. Quase sempre à noite eu me sentava lá e ficava por um tempo. Gostava de olhar o lado oposto do banco e te imaginar ali sentada, assim como era antes.Coisas mais fortes do que eu. O fato é que eu direcionava os meus olhos para o caminho que dava acesso a sua casa. Aquela estradinha estreita embora largamente para sempre em mim. Em todas as noites que voltei ali eu me lembrava de um garoto com palavras engasgadas, querendo dizer tudo que sabia, tudo que sentia e tudo pelo o que ele havia passado. Mas em todas aquelas noites em que apareci naquele banco de madeira no final da cidade (ou seria no início...pouco importa), tive uma só resposta: Não era pra ser. E aquela resposta '' não era pra ser'' se repetia todos os dias até que eu me convenci de que, fosse pelo eco ou pela persistência, ela era a tradução da verdade. Você tão linda e tão cheia de lágrimas...talvez se eu esperasse mais um pouco, talvez se eu esperasse que elas se secassem...talvez se eu não tivesse nunca esperado...não sei dizer. De qualquer modo ocultei a verdade que eu sabia. Você não resistiria ao teor da estória, a verdade crua e nua, não naquele momento. Você não precisava saber e eu não a faria sofrer por mais um minuto...preferível que eu me afogasse. Hoje faz algum tempo que não vejo aquela rua, não vejo aquele banco, não vejo você. A vida te pegou e te pôs debaixo de suas asas e voou contigo para algum pico de montanha em algum lugar do Mundo. Te deu um ninho, alimento e um horizonte distante do meu. E eu não sei por que eu ainda me lembro. Talvez seja por que ainda não teve fim aquilo que talvez nem teve início...Talvez nós tenhamos feito diferente de todos e começamos pelo Meio: um Pequeno Príncipe aventureiro apaixonado pelo oásis escondido em alguma parte de ti. Por muito tempo peregrinei por mim mesmo, desmascarei respostas prontas e mudei algumas de minhas perguntas, mas aqui no peito eu percebo que a felicidade é ainda só um esboço cinza de um desenho raro. Hoje você é uma ave cortando um céu distante e eu fico me perguntando se devo me contentar em contemplar aqui de baixo os seus vôos rasantes.
E todos os dias vejo nascer o Sol e a Saudade. Ao entardecer só o Sol se põe....
298 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.