O amor é insano
Sancho Spinola
Esta tarde percorri só, o traçado à beira mar que juntos desenhámos.
Cada vez que a espuma me cobria os pés, senti dor, cada onda, uma lâmina a retalhar-me a pele.
A cada passo que dava, imaginava o que farias, em que pensavas.
Os meus pés, esses escreviam na areia, retalhos da vida em comum, a que usávamos chamar amor.
Não há ganho sem perda, e na dádiva das memórias que ficaram, falta o calor da tua mão na minha, às vezes desajeitadamente unidas.
Deixei de acreditar em almas gêmeas, em opostos que se atraem, em antecipados felizes finais.
Foi efêmero o que não tinha fim.
Amar é andar na corda bamba, é ter asas nos pés, voar como esta gaivota que se faz presente, em ziguezagues e guinchos que desafiam o dia, que definha.
É quase noite e estou tão só. O vulto ao fundo na paisagem, não és tu, é miragem.
Amar não é coisa de outro mundo,
é humano,
é insano!
Cada vez que a espuma me cobria os pés, senti dor, cada onda, uma lâmina a retalhar-me a pele.
A cada passo que dava, imaginava o que farias, em que pensavas.
Os meus pés, esses escreviam na areia, retalhos da vida em comum, a que usávamos chamar amor.
Não há ganho sem perda, e na dádiva das memórias que ficaram, falta o calor da tua mão na minha, às vezes desajeitadamente unidas.
Deixei de acreditar em almas gêmeas, em opostos que se atraem, em antecipados felizes finais.
Foi efêmero o que não tinha fim.
Amar é andar na corda bamba, é ter asas nos pés, voar como esta gaivota que se faz presente, em ziguezagues e guinchos que desafiam o dia, que definha.
É quase noite e estou tão só. O vulto ao fundo na paisagem, não és tu, é miragem.
Amar não é coisa de outro mundo,
é humano,
é insano!
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