Não é para todos
Sara M. Pimentel
Num dia como o de hoje,
sinto-me abandonada
mal amada, desprezada,
amargurada, ferida, magoada.
Há anos, que não sei o que isso é,
o toque humano, um carinho,
um abraço, um gesto de ternura,
um ombro amigo, um quente ninho,
choro sozinha, todos os dias, e perdura,
vezes sem conta, por eles, baixinho.
Odeiam-me, porque sou doente,
porque deveria tratar bem deles,
agora, que sou eu, que preciso deles,
aqui se vê, família que se tornou gente
aqui se vê, agora, eu que me aguente
nem a própria família é clemente.
A culpa foi minha?
Não soube ensinar,
os valores morais e éticos?
não ensinei perdão, candura?
Tornaram-se egoístas, sem compaixão
cépticos! Esperam que melhore, patéticos!
Querem que volte a ser criada,
e tratar deles, tal a ditadura.
Fiquei sem amigos, por viver para eles,
ofereci a minha vida por eles, por os amar,
e, assim, me sinto abandonada, amargurada,
desprezada, mal amada, ferida, magoada.
Não vale a pena gritar, já experimentei,
e com isso, mais quebrada fiquei.
" Vá, vai-te tratar, depois falamos. "
Sou humana, caros deficientes de família,
também eu preciso do que já dei.
Se me fosse embora, sem quezílias,
nem dariam pela falta, eu sei.
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