Escritas

Amo-te, Mana

Sara M. Pimentel
Aterrorizada, com medo da dor, receosa, escrevo.
Aproxima-se o dia, de sentir a dor, em absoluto,
a dor dilacerante, que estilhaça. Não me atrevo
a ouvir...o bater do coração negro, de luto.

Ainda, despedaçado e saudoso,
anseio a bela morte, que me seduz
a alma, todos os dias, ser habilidoso,
desde noite até manhã, ela me reduz
a nada, sem essência, ser impiedoso.

O amor acabou, a minha felicidade evaporou,
não sobrevivo, aqui, onde dizem que há vida.
Não saboreio os prazeres de estar viva, voou
contigo, quando partiste, e eu fiquei, iludida.

Em prostração, oro por ti, minha linda irmã.
Queria ter-me despedido de ti, arcanjo de luz.
Uma última palavra amiga, adoro-te mana,
um abraço apertado, um beijo, que desarma.
Peço-te perdão agora, minha glória da manhã,
peço-te um milagre, leva-me contigo, minha luz.

Só me sobra a esperança, de voltar a ver-te,
Linda e amorosa, aqui, no além, não sei bem.
O meu único sonho, voltar a abraçar-te.
Sentir o teu cheiro, amo-te mana, fica bem.