Vacilar
Seu silencio me fala
Com todas as letras ocultas
Compondo um novo poema em branco
Sem palavras pensadas
Cheia de dedos...
Paralisados de medo
O novo mundo cheio de vida
Recuou
O outrora liberto... se engajou
A leveza do riso no corpo... Se dissipou
Em mim... Tudo o que sou
Minha alegria novamente em marcha... busca
Novos saltos no imenso começar...
Aventuro voar
No corpo e na mente tudo é passado
Memórias póstumas... o que restou
Outras paradas cardíacas e apaixonadas me aguardam
Novos amores... Encontros que nunca agendei
Como ciganos celebrando ao pé do fogo
Cantando e dançando...
Me recomponho, sacudindo as cinzas
De um arder de gozo já morno
Poema novo...
Escrevo a pena
e a cada palavra... Voo
Amando cada pessoa
Que me convida e me atiça
a olhar dentro dos olhos
No meu entorno...
Contornos de idas e voltas...
Num rodopiar
Lembranças que surgem a frente
E logo ficarão atrás
A cada nova estação
Consumada com deleite
Crio com tempo e sem pressa
Começos e fins sucessivos
Deixando um puro vazio
pleno de nós... Sem amarras
Libero meus braços
e
me afasto
Surgindo de nós... Mais Espaço
Que me instiga a percorrer
mesmo sem saber onde irei me encontrar
Essa alegria plena
revelou-se...
ideia muito pequena
Que nos atraiu e nos contraiu
Culminando num abraço repousante
Impulso natural dos afins
Recuperamos o fôlego
Encontro do ser confortável
na presença do outro
Sentimentos de encontro divino
Confiantes prosseguimos
Sem olhar para trás
Voar me convida
a uma aventura incerta
ao soltar
todos os laços
Abraços e beijos
nos
Encontros e nas despedidas
Momentos de ida e vinda
que nos levam a dançar com outros
me aproximando
cada vez mais de mim
Partir
é
desejo de sossegar em si
Aceitando por inteiro cada sentimento
Quente
Morno
Frio
Ter calafrios calado
diante
do que haverá de surgir
prosseguir
sem recuar ou negar
momentos de muitas duvidas
Liberdade é sentir-se vacilar onde agora se está
Liberdade começa
pelo fim reticente...
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