Insônia
Sem sono mais uma vez com a cabeça encostada no travesseiro centenas de pensamentos mixados vindos avulsamente acompanhados pelo barulho do relógio.
Lembrar alguma frase, música ou melodia que ouvi do dia. Mas, automaticamente vem alguma lembrança que faz com que o corpo dolorido inclinado na cama trave.
Ainda sem sono tento buscar algo na literatura e as primeiras palavras que leio tem algo a ver com o que eu queria expressar.
Juntando fragmentos de algumas recordações depois de virar várias xícaras de chá e não conseguir cair no sono. Em vão tento desviar das preocupações e me reter aos encontros que tive durante o dia. Barulho do relógio persiste e esses sentimentos insistem em me deixar em outra realidade.
O corpo parece querer voar, mas a insônia ignora isso. Qualquer resquício de nostalgia tem sido comum e se estendendo por horas. Minha voz gravada não soa tão bem. Meus rascunhos não passam de borrões sem expressões. Quanto aos meus acordes que tento empregar alguma singularidade esses nem vale a pena entrar no mérito para comentar.
"Seria bom ver o meu nome na capa de um livro". Machado de Assis, e.e Cummings, Graciliano Ramos, Walt Whitman, Clarice Lispector, Edgar Allan Poe, Florbela, Cecília Meireles, Paul Éluard... Os bons dos bons com afetuoso tom.
Palavras desusadas, frases comuns, mesmos hábitos, livros e lugares transitando em meus pensamentos. Quantas horas a mais em claro? Quantas luzes na rua eu irei ver se apagarem até o sono chegar?
Minutos se prolongam fazendo com que o sono custe a chegar. Não é a falta de sono que me preocupa, mas o fato de não canalizar este tempo útil que tenho para a construção de algo significativo.
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