Escritas

Não era para ser

Danilo de Jesus
Como não me submeter a uma única ordem
Deste pecado e deste desejo e deste medo
Que me ordenam até você
Como não escalar a mínima, mas tão longa distancia
Entre seu ombro e seu pesco
E não deixar uma só gota do oceano de carinho
Que banha o meu coração

Ah! E este momento... quase! mas livre de você
E um grito de - te quero! vindo da alma.
E as minhas mãos são muito mais que mãos
E meus toques são muito mais que toques:
São palavras e são abraços e são lágrimas
E são juras guardadas e o infinito muito mais  além também...
- O tempo ainda não sabe,
Mas momentos  assim se eternizam. 

Mas infeliz 
È aquele  que pode, mas não deve
Porém, para este há  perdão,
Porque o querer nem sempre esta ligado a razão.

E  feliz
È aquele que apenas segue o caminho,
Mesmo sabendo de pedras e de espinhos
Porque se necessitar de perdão
O próprio é  chegar 
Onde o caminho o  levou.

Sufoquei-me por dentro
E todo o ar vindo de fora
Agora  não é mais suficiente para eu respirar .
E essa dor e essa ausência 
E essa falta vida  em forma de ar
Só você pode tirar.

Como não persistir e chorar, 
Como deixar livre e sonhar  
Se depois da busca que busquei
E da luta que lutei
E da espera que eu que eu  esperei,
Quando não mais procurava
Foi que achei? 

Diga-me, por favor!
diga-me a você o que  custa deslizar nesse  amor
E depois seguir o seu caminho?
Mas salvando a vida e trazendo  descanso
E me libertando desta eterna espera!

Diga!
Faça...
- por favor, faça isso sim!
Porque eu diria ao sol e eu ordenaria ao tempo
Que este dia teria mil anos.

E então...
Eu só  quereria  caber na palma da sua mão
Por algum tempo, como algo raro 
E  depois do  sopro  do seu beijo
voar...
- Para a eternidade desse desejo.

Apesar da distancia
Apesar “desse” ser sempre sonho
Apesar desse “ não era pra ser”
Do meu lado esquerdo, muito além do pensamento, 
Está a sua imagem, com todos o seus gestos em movimento
E eu não eu não esqueço não esqueço...