Configuração dos silêncios
Frederico de Castro

Percorri todo o mar
nunca cansando meu
nadar
pra junto de teu porto
eu de mansinho naufragar
Inventei mundos de felicidade
tranquilizando tormentas com
beijos ternos de reciprocidade
Sentei-me à tua sombra vulnerável
dormitando nos ternos braços com
que sustentas
minha solidão configurada
no delicado enredo onde
pernoitamos fartos de confessar
tão desejada cumplicidade
Desnudei todos os contornos
onde acariciava a profundidade
de cada grito que preenche
os nossos vácuos de solidão
Compreendi cada momento
de contemplação
onde curo a serenidade do tempo
com a ardência plena
dos teus silêncios
Usufruindo-te na voracidade
do vento que se eclipsa
seduzimo-nos de feição
rumo à esperança que assim
navega sedenta de nós
em vagas dançantes de brisas
ágeis
comprometidas de cordialidade
E no longo acenar
desta despedida
embarcaremos vagueantes
iluminando as sombras que se
esquivam estonteantes pelos
becos de cada silêncio
configurando cada verso que
jorra em ti tão ofegante
Frederico de Castro
Português
English
Español