Escritas

DRONES DE NATAL E LETRAS DE ROCK E BLUES, SILAS CORREA LEITE

Cyber Poeta Silas Correa Leite

Drones de Natal 2015

Limbo (Depois de Mortos)

-Letra de Rock

Depois de mortos

Todos estarão livres

Para ser o que quiserem

Repugnantes ou insignificantes

-Há vida além da vida?

Veja a lista oficial dos mortos

Se você já está nela

Por que temer o lobo

No lodo do limo do húmus

-Com sua jornada vencida?

Todos estão mortos

De uma forma ou de outra

Você mesmo já nem sabe o que é

Rasteje mas empine o rabo

-E cuspa sangue seco na ferida

(Refrão) - Depois de mortos

Tudo se revelará querida

Não adianta berrar por fé ou socorro

Estamos todos no átomo em cachorro

E o inferno de outra vida

Virá caçar a sua alma corrompida...

-0-

Letra: Silas Correa Leite

Música: Quem se habilita?

Escuridão na Urbe

-Letra de Blues

No silêncio escuro do meu quarto um cubículo

Preso no meu subterrâneo íntimo

Vejo as gaiolas com grades lá fora

E resignadamente espero a morte,

para ver Deus. - (Para ver Deus?...)

A minha bateria definha e está acabando

Ninguém não nos virá salvar

A dor é só um velho amuleto

Escrever é só um esconderijo

de devaneios meus. - (E fracassos meus?...)

Amanhã minha alma nau será arrebatada

Sem religião, elmo, grua ou patuá

Todos os ratos daqui me adoram

Viemos todos de longínquos porões,

De navios e de pneus. - (De cristãos fariseus?...)

Estamos todos como meros refugiados aqui

Medo de alguma radioatividade

Cochos e currais e mata-burros na cidade

Estamos todos reféns de nós mesmos

Ilhéus, incréus e ateus - (Sifilizados por breus...)

Haja o que houver

Custe o que tiver

No subterrâneo mal caiado do meu quarto-cela

A escuridão sequela

é só o software de um chip de adeus...

Letra: Silas Correa Leite

Música: Quem se habilita?

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DRONES NATALINOS 2015

01.)-Quem canta suas malas espanta o ócio...

02.)-Da pá deum moinho da dobra dimensional do tempo viemos, à pá do coveiro voltaremos...

03.)-Quando um não quer, os dois não batem bifes...

04.)-Quem critica seu rabo implica...

05.)-Pimenta no Orkut dos outros é orégano...

06.)-Quem confere ferro é o chefe do almoxarifado em casa de ferreiro...

07.)-A cavalo gago não se olha o dentro...

08.)-Inferno são as ostras que produzem pérola aos poucos...

09.)-Não há mal que seja exótico, nem bem que não seja ostentação...

10.)-Nem tudo que reluz é braile...

11.)-Morrer faz bem pra pose...

12.)-Existir é pós-pago...

13.)-Feridos venceremos...

14.)-A fé é cega mas remove montanhas...

15.)-Purgante laxativo faz bem pro ego.

16.)-Escrevemos e fazemos arte para não esquecermos que somos animais...

17.)-Na hora de nossa morte, apaguem as luzes e paguem as contas...

18.)-Sexo é fagulha no palheiro...

19.)-No céu não tem W.C...

20.)-A morte é a maior ascensorista que existe. Leva e traz no escuro emergencial...

21.)-A circo armado nãos e olha o alvaiade do palhaço...

22.)-Todos os historiais impérios foram de vitórias impunes...

23.)-Melhor morrer da dor terminal do que da quimioterapia sacrificial...

24.)-Dia de Ação de Graças faz bem pra todos, menos para o Peru, então que graça tem?...

25.)-Ler é iluminura ...

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Continho de Natal:

Lurdes Pobrinha da Silva

Lurdinha queria ver o Papa.

O dia inteiro o papo aranha no rádio, na televisão, nas contações das beatas da periferia abandonada e carente, entre becos, cortiços, guetos, palafitas e a enorme favela Ordem e Progresso no Morro do Querosene, a acontecência 'da hora' era sobre o Papa que estaria vindo visitar o Brasil.

Lurdinha, coitadinha, deficiente física e mental, olhos cheios de remela, pobrinha e agregada de um barraco onde se restava meio que largada, desesperada e carente sonhava em ver o Papa. Passaram-se meses, sem esperança e sem cuidados, ela ficou com aquilo na cabeça.

Quando era pertinho do Natal, certa manhã radiante, o quarto amontoado em que mal e porcamente fora alojada entre trastes velhos feito um antro de despejo, se iluminou. E ela viu entrar um belo e sorridente jovem, barbudo, cabeludo, que lhe estendeu os braços largos e disse com maviosa voz:

-Olá Lurdinha, eu sou Jesus!

Lurdinha ficou desenxabida, coitada.

Ela queria ver o Papa.

-0-

Da Série Silas e suas"siladas".

E-mail: poesilas@terra.com.br

www.artistasdeitarare.blogspot.com/

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