Escritas

Amante Esquecida

Paulo Jorge

Meu amor, minha amiga,
Silencioso na tua dor,
Espero que a tua alma diga,
Meu confessor, meu senhor.

Não me obrigues mais a falar,
O silêncio diz-me mais que tudo,
Deixa-me observar-te só a arfar,
E transcrever-te num poema-mudo.

Abandonaste-me à sorte sem te perceber,
Não ouviste sequer os meus versos,
Desapareceste na neblina ao amanhecer,
Deixaste-me aos meus sentimentos perversos.

Elas passam por mim tão perto,
Inatingíveis na sua promiscuidade,
Esticam-me a mão para um aperto,
Mas estou tão longe, já fora da cidade.

Tão ignóbeis,
Tão imbecis,
Tão hábeis,
Tão pueris.


Lx, 23-6-1995
820 Visualizações

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
joao_euzebio
2012-04-03

As vezes falamos as paredes nem sempre o que desejamos se realiza mas fica a esperança que depois da chuva venha o sol.