Soturno

Há rios com tanto sofrer,

que no mar não desaguam:

Afogam-se.

Inventaram paraísos, para os deuses,

pois o caminhar dos homens

fazia-se ao inverso.

A busca insana pelo poder,

fazendo-os viver os valores

plantados na futilidade,

retalhava o afeto até a ausência.

Fêz-se noite.

E a vida cansada,

destroçada a esperança,

firmou-se na antieuforia

de ser mundo humano, Aceitava

ser gado com olhos impedidos de ver.

Nisto há metafísica.

Essa noite,

que não é o intervalo entre dias e dias:

É o degolar das nossas horas felizes.

É da morte a profecia se cumprindo:

Prendendo a criança chamada Futuro;

Matando os homens, sem tirar-lhes a vida...

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