Escritas

Elegia a um jovem

William Azevedo Rodrigues
(à memória de Victor Pimenta)

Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Não concebo tal desenlace,
Tal visão me causa desordem!

Como pode tão bela flor
Murchar inda em pleno verão,
No auge da beleza e esplendor,
Sem que fosse a certa sazão?

Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Não concebo tal desenlace,
Tal visão me causa desordem!

O que houve co'a tua alma infante,
Co teu espírito jovial?
Viveste só por um instante,
E já seguiste à luz divinal!

Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Não concebo tal desenlace,
Tal visão me causa desordem!

Porém sei que agora é feliz,
Inda mais que fora entre nós!,
Contudo é grande a cicatriz
Que deixaste ao deixar-nos sós...

Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Sei que gozas do Seu enlace,
E que ao teu lado os anjos dormem.