Pranto do Poeta
Lucille
Escrevo pela angústia dos corpos sem voz
Pela ação que se cala no colo dador
O que é sentido no braço do inimigo
Ao renovar dos pesares contidos
Escrevo pois minha voz se dilata
Cansa, exala, perde-se na estrada
Do saber que me passa
E de lá já grita adeus
Escrevo o que me resta
Com o que ainda não me bordou
Sou de longe o que é pressa
E de frente o que passou
Escrevo pois minha alma canta
Exclama as gotas de chuva
Reclama a sombra da gana
Pois meu peito é delírio
Pranto frio de quem ama
Escrevo sem métricas
Sem regras, barreiras
E dilemas exigentes
Escrevo pois não calo
Não paro o que me sente.
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