A tentativa de cronicar
As aulas de filosofia sempre soaram interessantes, se não fosse a perjura que o cérebro insiste em desvendar, talvez até pensasse em seguir o rumo dos pensadores - não conhecidos. Esses tem a fama de chatos, analistas de boteco, carpinteiros de Freud. E tantos outras nomenclaturas que me fogem de parte do cérebro, qual eu utilizaria para guardar informações caso tal funcionasse bem. Provável que nasci com algo atrofiado dentro da carola, e agora ter caído do berço já não é mais pretexto pro rodeio.
Todas as quintas feiras na aula, encontro-me com seres pensantes. Alguns se atém a indagar a cor da camiseta do Papa, outros fazem referência ao anel do dedinho esquerdo da Presidenta. Ou será da direita?
Poderia ficar horas analisando a interpretação dos indivíduos, o modo como se rebelam ao soltar certas palavras. Então dona Linda Cristina, minha futura psicóloga e já professora, pergunta em bom tom o que era referido em uma música de Chico, eu, por vez exaltei: Puta! Talvez fosse mais delicado dizer ''mulher da vida'', hetairas, grandes sacerdotisas do Egito Antigo?
Segundo meu acalorar momentâneo, não seria justo entender como funcionam as pessoas através de pensamentos transitórios, pois naquele momento parei gélida observando ao redor, sentido-me um dejeto perante os outros. A culpa é minha ou da sociedade por penhorar a significação de puta dentro de um ciclo preconceituoso? Pois no amado Aurélio, é designado puta qualquer mulher lúbrica que se entregue à libertinagem. E lá vem o tal feminismo do qual não faço gosto de dissertar.
Minha mente incrédula vive pregando peças, quer saber o que tem através de cada ideia. Por isso a coitada vive inerte de respostas, passando por caminhos de variáveis e um montão de nadas. Se perde no compasso. Falando em compasso, terminei de ler Leite Derramado, primeiro livro que ouso folhear o último capítulo, qual o título faz analogia a Matilde, que quando grávida de Eulálinha debruçava-se sobre a piá para despejar seu leite, pois a filha tinha uma ama-de-leite, onde a mãe havia a possibilidade de amamentar. Por fim, Matilde some antes da metade do livro, vivendo apenas em memória. Tenho dificuldade em lembrar nomes de personagens, e sem nenhuma surpresa, esqueci-me do nome designado ao personagem principal, qual narra suas neuroses e memórias - vezes inventadas - de um leito de hospital.
Sim, todos os livros que deleitei até tal momento, deixei para trás o último suspiro da narrativa. Problemas com finais? Creio que um tanto. Admito ter certa curiosidade de saber com quem Guiomar aceitou casar-se em a ''A Mão e a Luva'', ou como terminou Odisseu em sua jornada em ''Odisseia'', também queria ter fugido da descoberta que a loucura haveria de deixar Dom Quixote.
Será que ainda há espaço para os desajustados? Temo que a morte não se aproxime tão cedo
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