Escritas

Brôto de espaço

teka barreto


Uno em versos

os fragmentos diversos

Universo sem ideia

de começo ou fim

letras que soam vogais

consoam pontos de mais

exclamo dando sinais reticentes


ria mais...

há mais...

amais...

ria de si

pelo menos


átomos do meu consumo

diário

como bananas de pijama

e o potássio que as pariu


me estouro de gargalhada

quando o pouco já é muito

e o muito é bananada


só rindo que eu sacio

Só risos adoçam o mundo

digerindo rimos juntos

e o denso que indigesta

sorria que fica bem


Qual era?

Qual fora?

que antes de ser no tempo

já não era alguma coisa?


porque não haveria espaço?

se tudo é espaço faz tempo?


Como pode o que não é

nascer e morrer agora?


se tudo que acabou já foi

tudo que era seria outra vez?


Se nunca sai do espaço

para onde mais...

eu iria?


Como seria

criar no espaço

do espaço?


refiz-me e desfiz-me por eras

dissolvendo-me em esferas

no nada antes de tudo


sou oca! Não louca!

gravida de liberdade espacial

que gravita dentro e fora de mim

e que não me conforma


Tão cheia de vida fico

que tudo espaceia a volta

sem mim


e nada brilha sem ele

nem estrela


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