Escritas

JANELA II

Sérgio Lemos
JANELA II


Sou um lago daquele sem lua,
sem reflexo,margem ou fim,
sou esquina sem beco ou rua,
sou ausência de alguém em mim.

sou poente, sarjeta e nojento,
sou vento,lamento- quem dera poeta!
sem musa ou caneta, verso ou meta,
sou o demônio da lágrima que invento.

Sou o sossego do luar na noite,
sou silêncio sem noite ou luar,
sou o perdão gêmeo do açoite,
sou minh'ausência por te sobrar.

Sou apenas frações de algo meu,
sem um riso ou a quem esboçar,
sou encontro nosso que se perdeu,
sou em ti um melhor lugar.



Sérgio

20/07/91










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