Escritas

Psicanálise, Talvez ironia

Tiago Magalhães
Uma escada de pedra em espiral
que nasce no seio do mar
e viola as ondas
- por baixo
e abre um espaço
- um centro torto
pelo qual ascende ao abismo em chamas
e se faz ver:
A imagem de longínquo homem
de pé em cima de uma cadeira
com o peito em forma de porta
- aberta
por onde entram as ondas
[em golpes certeiros
e se faz cinzento o mar.
Há um compasso delirante
que se faz sentir
por entre as veias de mel
no topo da escadaria:
- onde um outro homem
diz ter visto uma árvore roxa
e a seguir
atirou-se às aguas do mar
[sobressaindo pelo suicídio
Esse compasso
que anda pelo próprio pé
e questiona: "quanto tempo,
mas quanto tempo me resta?":
arranca um braço
com a boca fechada
e cospe galáxias leitosas
onde escorrega
e conhece os mitos da apropriação
do mundo
de dentro
[subjectividade ou espinha atada?
Havia um mar.
Era tudo o que havia.