Trágico
Eu não merecia dos anos que pedi a esmo e em caos, mesmo com a esperança e o balsamo ao lado, viver se quer um segundo assim e nem este Poema; eu não merecia tamanha cruz porque não sou Cristo e nem padecer de tanta dor porque minha chagas não curam pecados! Eu não merecia ter um jardim na palma da mão, mas nem um beija-flor para visitá-lo e nem que a chuva molhasse e secasse e matasse, gota a gota, cada fruto meu!
Meu coração não merecia estar tão infinitamente vastíssimo e vazio porque eu não sou o universo e nem que cada ferida dele brilhasse como as estrelas no céu; eu não merecia – do amor que tenho – ter tido apenas o nome da amada e que seus olhos cegasse a minha visão, nem ascender todos as velas da vida e vê-las apagando sem que ela me visse morrer no escuro !
Eu! esse leprosário para todas ao doenças, esse deposito de bactérias que se quer tenho uma Historia, mas já tenho um fim escrito, Eu não merecia ser o meio de um início que não vi acontecer e nem ser o perpetuo escreva deste fim trágico que não, não chega nunca e
nunca ao fim!
Por isso, Eu merecia uma casinha no campo onde a cidade passasse na linha do trem e fosse logo embora e me deixasse nos Braços do meu Amor, entre a rede e a montanha e o por do sol... – embrulhado em seus cabelos...!
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