continuam a voar os pássaros no meu país sonhado

ei-lo

o último poema.

o sentir expirado num derradeiro fonema

ei-lo que se vai

arrancado de mim com violência

que um tão forte sentir não sai

com delicada ciência


soçobrei

de tão fatigado que estou

sinto estilhaçado tudo o que me restou

que assim seja

apesar do muito que ainda me sobeja

é tempo de dizer que tudo acabou


sigo em frente

deixando-te para trás

e a recordação que o teu olhar me traz

mas não tenho paz

não tenho…


sigo o rumo do meu país

aquele com que tenho sonhado

ainda que saiba que ele nascer não quis

de tanto o sonhar o tenho amado


já não o habitarás

como eu o tinha determinado

e por mim não chamarás

nos dias de tanta luz clareados


nele, os pássaros voarão

livres, no céu azul

e nessa imensidão

será verão

estio de norte a sul


tu não estarás lá

não te estenderei a minha mão

o meu desejo não te alcançará

porque esse país existe no meu coração

e de ti, só as memórias o habitarão


sinto-me dormente

estranhamente contente

pelos grilhões que acabo de quebrar

ainda que te continue a sonhar

eternamente…



leal maria (todos os direitos reservados)

lealparaquedista@sapo.pt

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