NICOTINA
Igor Roosevelt
'Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos'
(Álvaro de Campos/Fernando Pessoa)
Preso em meus dedos um cigarro ameno
- Tragos de tédio e brasas de desejo,
Destilando o cilíndrico veneno,
Tendo a morte e o prazer no mesmo beijo.
Se adelgaça no ar o doce fumo
Como fosse uma etérea serpentina
Nada importa, se agora me consumo.
Em minhas veias corre nicotina.
'Tu morrerás!', 'E eu não duvido', digo.
'Tão triste é perder novo um grande amigo'
E eu me disperso nesse lento crime...
Nada mais justo, minha doce irmã,
Trocar uns dias de uma vida vã
Por uns minutos de prazer sublime
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