Escritas

CORPO DAS LETRAS (em GESTAÇÃO...)

teka barreto
Sem pé nem cabeça

o que sobra além de espaço?

Na minha cabeça...

Crio ou desfaço

Deleto ou gravo

mas nunca apago

O tão vasto Universo

me inspira a fazer versos

sejam feitas as minhas vontades

assim na tela como no papel

Os sentidos são os meus

Os lidos

são agora teus...

meus versos...

Gestando ainda

São estados sentidos

De algo inacabado

Os arranjos que grafo

é prá causar estranhezas ou

certezas...

E assim transfiro o que inspiro

E compartilho o que não é só meu

passam a ser seus os direitos

não reservados

Você é meu co-poeta

que reinterpreta tudo o que re-alinho

As palavras que uso

são elementos astutos

pois para mim dizem algo

que você lê mas não sabe

o que eu...

Com eles quero dizer

Fazer o que?

Observar-se sem debater-se

Quem sabe...

Parar de ler te acalme?

Fraseio o absurdo

num mundo direcionado

ao estático e sem sentido

Caótico não é o que se quer ordenar

Desconstruo o Gótico

Denso e estruturado

Pois tudo o que é coisificado...

Passou a ter serventia

Meus versos insuflam

ar...

Como um experiente salva-vidas

Me leia...

Me deixe passar

Mas não se oponha a cria

Do fundo te quero tirar

e ver-te respirar com satisfação

Inspirando o ar com alegria desmedida

Há vida em tudo

a vida é constituída de poesias inacabadas

E isso causa... Estranhezas

criando-se no caos...

mais e mais perguntas

E o universo se expande

Devido a tanta indagação

O Universo se constrói a partir

de informação

Por isso toda pergunta

nos leva a incansável busca

Do sentido que é sentido

Animado é o teu corpo...

Sem pensar

e independente de ti

Animado são meus versos

que expande o concreto

das palavras solidificadas

minha escrita é fissão

que desconstrói o encorpado

nas palavras soterradas...

enclausuradas

num solo

determinado e sem sentido

As palavras precisam voar

Por todo lugar...

Se não...

perdem os multiplos sentidos

Palavras esquecidas

Exiladadas num sentido

Liberto-as

Das catacumbas

Insuflando-lhes nova vida

Que sejam elas, o que tu quiseres

Mas não se apodere delas...

Minha poesia não é concreta

ela é cheia de espaços e respiros

porosa como uma pele

Num organismo vivo

Manter os espaços é harmonização

é como dar

um caloroso abraço

sem se fundir ou vir a ser

algo totalmente diferente

Minha poesia

assim como você...

É algo bem diferente...

Original... Singular

Deixar de ser o que é...

é tornar-se concretizado...

Findo

Mesmo sem ter acabado

morrendo ainda em vida

Poeta não cria coisas

Poeta cria NADA

No mar de suas ondas

Sobem e descem

letras... Frases... Palavras...

Havemos que desfrutar...

Apreciar as braçadas

Fluindo e se divertindo

no oceano dos sentidos

* poema inacabado...

479 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment