Corda bamba
Em cada sonetorecordo um momento findo no tempo mas infinito em mim. Vagueio por estas ruas eem cada esquina revivo uma realidade passada.
Outrora eralimitada pela minha própria imaginação. A minha ligação com a vida era tãoescassa que criava outras, paralelas a mim e ao que me rodeava. Por conhecertão pouco da realidade sustentava-me através de um sonho constante, de algo quesomente a minha alma conheceria. Algo inacessível a todas as outras almas quenão a minha.
Tenho agora ummaior contacto com a realidade e a consciência que os momentos são findos,dificilmente podendo ser revividos ou recriados. Arrasto-me assim num passeiopelo passado, e em cada canto da minha mente combino uma realidade vivida compequenas alterações a essa mesma realidade, que parece agora tão distante demim.
Sei que não seráapenas na minha alma que a minha realidade viverá indefinidamente. Em cadaesquina consigo ver um sorriso meu, e em cada banco de jardim está inscrito umdia tão aborrecido de bem passado que foi. Numas escadas estarão marcadas asminhas lágrimas outrora choradas, assim como aquelas árvores guardam um segredode conforto momentâneo e umas quatro paredes vazias a minha segurança, queficou num descanso eterno.
A minharealidade ficou inscrita num espaço que antes tanto desprezava. Transporto-aagora para uma outra que nunca findará nem morrerá. A que é de fora para dentroe não de dentro para fora.
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